sábado, 9 de março de 2013

CAMINHO


CAMINHO
Cale-se a minha boca
Sequem-se os meus olhos
Escape-me a vontade de sorrir
Esfrie-se o meu sangue latino
Mas que eu não me esqueça
Jamais
De onde parti
E qual o meu destino


Tremam-me os joelhos
E as mãos
E o corpo inteiro
Mas que eu saiba
Sempre
Por que vagueio


Cansada das voltas
Dos altos e dos baixos
Preferindo as rotas
Obviamente retas
Caminho


Desentorpecendo-me
Lentamente
De químicos inebriantes
Com ou sem
Dor ou dó
Caminho


Vista fita no adiante
Esquivando-me das laterais
Ignorante do idioma cantado
Por tantas vozes ao meu redor
Escuto uma só
Que fala e repete
E caminho


E não me importa
Se haverá rios, pontes, nascentes
Montanhas, desertos ou o quê
Não me interessa
Sol ou chuva
Calor ou frio
Companhia ou solidão
Nada me apetece
Apenas caminho


Sem olhar pro chão
Sem pensar em vão
Só para chegar
Caminho.

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