CAMINHO
Cale-se a minha boca
Sequem-se os meus olhos
Escape-me a vontade de sorrir
Esfrie-se o meu sangue latino
Mas que eu não me esqueça
Jamais
De onde parti
E qual o meu destino
Tremam-me os joelhos
E as mãos
E o corpo inteiro
Mas que eu saiba
Sempre
Por que vagueio
Cansada das voltas
Dos altos e dos baixos
Preferindo as rotas
Obviamente retas
Caminho
Desentorpecendo-me
Lentamente
De químicos inebriantes
Com ou sem
Dor ou dó
Caminho
Vista fita no adiante
Esquivando-me das laterais
Ignorante do idioma cantado
Por tantas vozes ao meu redor
Escuto uma só
Que fala e repete
E caminho
E não me importa
Se haverá rios, pontes, nascentes
Montanhas, desertos ou o quê
Não me interessa
Sol ou chuva
Calor ou frio
Companhia ou solidão
Nada me apetece
Apenas caminho
Sem olhar pro chão
Sem pensar em vão
Só para chegar
Caminho.
Uau!
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